Queijo Tomme Vaudoise: O Queijo Suíço que Só Existe no Brasil

O queijo tomme vaudoise (pronuncia-se “tom vodoáse”) é um queijo macio de origem suíça produzido exclusivamente no Brasil pela Vermont Queijos Especiais, de Pomerode (SC). Com casca branca aveludada, massa extremamente cremosa e zero lactose natural, ele é mais cremoso que o Brie e o Camembert franceses. Recebeu Medalha de Prata no World Cheese Awards e Super Ouro no Mundial do Queijo Brasil.

Existe um queijo suíço que você só consegue comprar no Brasil. Não porque seja importado — mas porque é produzido aqui, por uma queijaria catarinense que decidiu resgatar uma receita quase desconhecida entre os brasileiros.

O queijo Tomme Vaudoise tem origem no cantão de Vaud, região dos Alpes suíços próxima a Genebra. No Brasil, a única marca que o produz é a Vermont Queijos Especiais, instalada em Pomerode, Santa Catarina. E desde que chegou ao mercado, em 2017, ele conquistou prêmios internacionais e um grupo crescente de apaixonados.

Neste artigo, você vai conhecer tudo sobre o queijo tomme: de onde ele vem, como é feito, o que o diferencia dos queijos franceses mais famosos, como harmonizá-lo e onde comprá-lo.

O que é o queijo Tomme Vaudoise?

O que é o queijo Tomme Vaudoise?
O Tomme Vaudoise é reconhecido pela sua cremosidade acentuada.

O nome já conta parte da história. Tomme é uma palavra francesa que designa queijos de formato redondo, geralmente de tamanho pequeno a médio, produzidos em regiões alpinas. Vaudoise significa “do cantão de Vaud” — uma das regiões suíças de maior tradição queijeira, às margens do Lago Leman, com vista para os Alpes.

Diferente dos queijos Tomme mais conhecidos internacionalmente — como o Tomme de Savoie, que é semiduro e de casca cinza-escura —, o queijo Tomme Vaudoise é um queijo macio de mofo branco. Sua casca é formada pelos fungos Geotrichum candidum e Penicillium candidum, os mesmos utilizados nos famosos Brie e Camembert franceses.

A grande diferença está na textura. Como a própria Vermont descreve: “Apesar de ser feito com técnica parecida com a dos famosos queijos de mofo branco franceses, o Vaudoise apresenta uma cremosidade ainda maior.”

Em outras palavras: se você gosta de Brie mas quer ir um passo além, o queijo tomme vaudoise é o próximo destino natural.

Como é feito o queijo Tomme Vaudoise

Como é feito o queijo Tomme Vaudoise
Do leite fresco à cremosidade intensa: o processo artesanal do Tomme Vaudoise transforma técnica, maturação controlada e fungos nobres em um verdadeiro queijo “runny” que escorre ao corte.

A produção do queijo tomme vaudoise começa com leite de vaca de alta qualidade, proveniente da bacia leiteira de Santa Catarina. A Vermont utiliza fermentos e mofos importados da França, não disponíveis no mercado brasileiro, para garantir a autenticidade do perfil sensorial.

O processo envolve controle rigoroso de pH em cada etapa, uso de liras para corte da coalhada e monitoramento constante das câmaras de maturação — temperatura, umidade e circulação de ar são controlados milimetricamente para que os fungos se desenvolvam de forma uniforme sobre toda a superfície do queijo.

A casca branca e aveludada leva cerca de dez dias para se formar. A partir daí, começa um processo de proteólise — os fungos quebram a proteína e a gordura da massa, convertendo-a progressivamente em uma textura cremosa e, nos estágios mais avançados, quase líquida ao corte. É o que os especialistas chamam de runny cheese: um queijo que escorre.

Evolução sensorial por estágio

EstágioTexturaSabor e aroma
Primeiros diasMais firme, estruturadaLático suave, amanteigado
Intermediário (~30 dias)Cremosa, começa a fluirMais intenso, notas de cogumelos emergem
Final (próximo ao vencimento)Quase líquida ao corteComplexo, marcante, envolvente

Essa evolução não é defeito — é o sinal de um queijo vivo, que continua amadurecendo até o último dia de validade.

Tomme Vaudoise vs. Brie vs. Camembert: entenda a diferença

É comum que consumidores que ainda não conhecem o queijo tomme vaudoise perguntem: “qual a diferença para o Brie?”. A resposta vai além da origem geográfica.

Brie é um queijo francês da região de Seine-et-Marne. Tem casca de Penicillium candidum e massa cremosa que evolui até quase líquida. Sabor amanteigado com notas de cogumelos.

Camembert também é francês, da Normandia. Processo similar ao Brie, com dimensões menores e sabor ligeiramente mais intenso. Textura que pode se tornar quase líquida próxima à validade.

Tomme Vaudoise é suíço, do cantão de Vaud. Usa os mesmos fungos que o Brie e o Camembert, mas o resultado final tem cremosidade superior. Em maturação avançada, o interior é praticamente fluido — e o sabor evolui para notas bastante complexas e envolventes.

Em termos práticos: o queijo tomme é o mais cremoso dos três. Para quem aprecia queijos de mofo branco, ele representa uma experiência mais intensa.

Premiações do queijo Tomme Vaudoise

O reconhecimento do queijo tomme vaudoise da Vermont no cenário internacional não é modesto:

  • Medalha de Prata — World Cheese Awards 2023-24 (Trondheim, Noruega)
  • Medalha Super Ouro — Mundial do Queijo Brasil

O World Cheese Awards é considerado o maior e mais prestigiado concurso de queijos do mundo, reunindo mais de 4.500 queijos de dezenas de países. Uma Medalha de Prata nesse contexto representa qualidade comprovada por júri técnico internacional.

“O World Cheese Awards é a maior competição exclusiva de queijos do mundo, reunindo os melhores queijos de mais de 40 países para serem avaliados por um painel internacional de especialistas.”

Guild of Fine Food, organizador do World Cheese Awards — competição em que o Tomme Vaudoise da Vermont conquistou Medalha de Prata na edição 2023-24

Zero lactose: o que isso significa na prática

Um dos dados mais surpreendentes para quem nunca consumiu queijos de mofo branco maturados: o queijo tomme vaudoise é naturalmente zero lactose — sem adição da enzima lactase.

Como isso acontece? Durante a maturação, as bactérias láticas e os fungos da casca se alimentam da lactose presente na massa. Quanto mais avançada a maturação, menor o teor de lactose residual.

Nos queijos da Vermont, o processo é suficientemente longo para que a lactose seja completamente eliminada — e isso está declarado formalmente no rótulo: “Zero Lactose. A lactose é eliminada naturalmente durante o processo de maturação dos queijos maturados.”

Isso significa que intolerantes à lactose podem consumir o queijo tomme com segurança. Para quem sempre evitou queijos por esse motivo, o Vaudoise pode abrir uma porta inteiramente nova.

Saiba mais: Queijos sem Lactose: Por que Queijos Maturados São Naturalmente Livres de Lactose

Como harmonizar o queijo Tomme Vaudoise

Como harmonizar o queijo Tomme Vaudoise
Tomme Vaudoise, vinho e geleia artesanal: uma harmonização que equilibra cremosidade, frescor e contraste na medida certa.

A cremosidade e o perfil suave — que evolui para complexo conforme a maturação avança — pedem parceiros que complementem sem sobrepor.

Cervejas

O queijo tomme pede cervejas leves, de baixo amargor e notas maltadas. As melhores opções são Catharina Sour, Saison, Helles, Kölsch e Weizenbier. Cervejas com alto IBU ou muito lupuladas competem com os aromas delicados do queijo.

Vinhos e espumantes

Espumantes secos funcionam muito bem — a efervescência limpa o paladar da gordura do queijo. Chardonnay, Pinot Gris e Sauvignon Blanc também são ótimas escolhas. Vinhos como Riesling e Gamay aparecem bem em maturações mais avançadas.

Acompanhamentos sólidos

  • Geleia de Amora — desenvolvida especificamente para harmonizar com a linha de mofo branco da marca
  • Geleia de Figo — o dulçor amadeirado do figo cria um contraste elegante com o queijo tomme
  • Pão artesanal — baguete, torradas finas ou pão de fermentação natural
  • Frutas frescas — uvas verdes, peras fatiadas e maçã criam contrastes de frescor

Para uma versão aquecida: leve o queijo tomme ao forno a 180°C por 5 a 10 minutos dentro de um ramequin. O resultado é uma cremosidade ainda mais intensa — perfeito para servir como fondue individual com pão artesanal.

Como armazenar o queijo Tomme Vaudoise

O queijo tomme vaudoise é um produto vivo. Armazene entre 4°C e 8°C e mantenha na embalagem original ou envolto em filme plástico após aberto. Evite armazenar próximo a alimentos com odores fortes — o queijo pode absorvê-los.

Se você quiser aproveitar o estágio mais cremoso e complexo, guarde e consuma próximo à data de validade. Se preferir o perfil mais suave e ácido, consuma nos primeiros dias após a compra.

Vermont Pomerode: a queijaria por trás do queijo Tomme Vaudoise

A Vermont Queijos Especiais é a marca da Pomerode Alimentos, empresa com 70 anos de tradição localizada em Pomerode, Santa Catarina. Os irmãos Juliano e Bruno Mendes — que antes fundaram a Cervejaria Eisenbahn, em 2002 — assumiram a gestão da queijaria em 2013.

A produção do primeiro lote de queijos de mofo branco, incluindo o queijo Tomme Vaudoise, aconteceu em setembro de 2017 — marcando o início oficial da marca Vermont.

Desde então, a queijaria acumula um currículo de premiações internacionais expressivo, com destaque para o Queijo Morro Azul, eleito Melhor Queijo da América Latina (World Cheese Awards 2023-24) e 3º Melhor Queijo do Mundo (Mundial do Queijo Brasil, 2024).

A Vermont conta com consultoria de um mestre queijeiro francês, câmaras de maturação com controle rigoroso de temperatura e umidade, fermentos e mofos importados da França e produção com energia solar. A fábrica em Pomerode realiza visitas guiadas — do recebimento do leite até a degustação.

Conheça mais sobre a Vermont Queijos Especiais.

Produtos em destaque

Queijo Tomme Vaudoise — Vermont Pomerode

Caixa de 125g com casca branca formada por Geotrichum candidum e Penicillium candidum. Massa extremamente cremosa, zero lactose natural, embalagem azul. Medalha de Prata no World Cheese Awards 2023-24.

Ver Queijo Tomme Vaudoise — Vermont Pomerode

Queijo Morro Azul — Vermont Pomerode

O queijo mais premiado da Vermont — e um dos mais icônicos do Brasil. Eleito Melhor Queijo da América Latina e 3º Melhor Queijo do Mundo. Mofo branco, cinta de carvalho, massa quase líquida, zero lactose. Disponível em 125g, 400g e 620g.

Ver Queijo Morro Azul — Vermont Pomerode

FAQ — Perguntas frequentes sobre o queijo Tomme Vaudoise

“Tom vodoáse”. A palavra Tomme vem do francês e significa “queijo redondo de região alpina”. Vaudoise é o adjetivo feminino para “do cantão de Vaud”, na Suíça. O nome completo indica, portanto, um queijo redondo da região de Vaud — uma das zonas queijeiras mais tradicionais dos Alpes suíços.

Não. É zero lactose natural — a lactose é eliminada durante a maturação pelas bactérias láticas e pelos fungos da casca, sem adição da enzima lactase. Esse fato está declarado formalmente no rótulo da Vermont. Intolerantes à lactose podem consumir com segurança.

O Tomme Vaudoise é mais cremoso que o Brie. Ambos usam Penicillium candidum na casca e têm perfil sensorial suave que evolui para complexo. A diferença está na cremosidade final: o Vaudoise desenvolve uma textura ainda mais fluida durante a maturação — e tem origem suíça, não francesa. A Vermont descreve o Vaudoise como “com cremosidade ainda maior” que o Brie e o Camembert.

Sim. Aquecido em ramequin no forno a 180°C por cerca de 5 a 10 minutos, ele atinge um nível de cremosidade ainda maior — ótimo para servir como fondue individual com fatias de pão artesanal ou torradas. Também pode ser aquecido no micro-ondas por alguns segundos para o mesmo efeito.

Sim. Recebeu Medalha de Prata no World Cheese Awards 2023-24 — o maior concurso de queijos do mundo — e Super Ouro no Mundial do Queijo Brasil. O prêmio de Prata no World Cheese Awards é especialmente significativo porque coloca o queijo entre os melhores da categoria em uma competição com mais de 4.500 queijos de dezenas de países.

Conclusão

O queijo Tomme Vaudoise é uma das raridades do universo dos queijos artesanais brasileiros: um estilo suíço autêntico, produzido exclusivamente por uma queijaria catarinense com técnica francesa e matéria-prima de excelência.

Cremoso além do Brie, zero lactose natural, premiado no maior concurso de queijos do mundo — ele representa o que há de mais ambicioso na produção artesanal de Santa Catarina.

Se você ainda não provou o queijo tomme, este é o convite para descobrir uma experiência sensorial que vai muito além do familiar.

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Henrique Tanaka
Henrique Tanaka

Sócio da A Casa do Produtor e especialista em curadoria de alimentos artesanais premium. Com um olhar atento à qualidade e à procedência, compartilha insights sobre o universo dos queijos, cafés e charcutaria, ajudando a disseminar a cultura da gastronomia de origem no Brasil. Acompanhe suas análises para descobrir as tendências do mercado gourmet e as histórias de quem faz a excelência chegar à sua mesa.

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